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Pensamento do dia:

A esperança seria a maior das forças humanas, se não existisse o desespero.

Victor Hugo

Sob a neve

Arquivado em poesias | 928 visitas | Tags: ,

No terrível sopro do gelo,

um homem contempla sozinho a neve que cai

e recorda do tempo em que haviam sorrisos naquele lugar,

um tempo em que a esperança brilhava nos olhos de todos.

A terra era mais fértil

e o Céu parecia acolher melhor as promessas.

Um tempo de paz,

onde as histórias de glória inflamavam o coração dos guerreiros.

Conquistas, tesouros, riquezas.

Tudo isso eles tinham,

na tranqüila arte de arar e colher da terra.

Mas o tempo castiga o corpo

e arranca de nossa inocência os sonhos,

ocupando o homem com tantas tristezas

que seus olhos já não conseguem enxergar

a beleza natural do que era comum.

O erro foi perder a simplicidade,

que os protegia de toda maldade que havia.

O povo foi se repartindo em famílias

e deixaram de compartilhar tudo que tinham.

Logo vieram as intrigas

e muitos se lançaram em busca de novos sonhos

e nunca mais retornaram.

A geada foi aos poucos destruindo a plantação,

os heróis foram mortos

e muitos guerreiros, exilados.

As notícias já não traziam alegria,

só falavam de outros povos que não resistiram

e caravanas que saiam em busca

de um novo lugar para morar.

A arte de arar,

sucumbiu frente o discurso da hipocrisia,

pois ninguém mais lembrava de semear,

para ficar ostentando uma riqueza vazia.

Não se dá valor ao que não se pensa

ser possível perder um dia.

E quanto mais se perde um pouco,

tanto mais aparece a agonia

e nos faz esquecer

que é possível perder muito mais.

No rigoroso abraço da neve,

o homem calado contempla um pálido raio de luz

que atravessa o céu carregado de nuvens.

E o faz lembrar,

que existe um sol por detrás dessa massa

e que a neve não pode durar para sempre.

Sua pele enrijeceu com o frio

mas seu coração ainda ferve como o de uma criança.

A neve e o exílio têm lhe ensinado muito.

Ele perdeu tudo que tinha para perder

mas nada perdeu, tudo quanto poderia.

E antes que desaparecesse aquele tenro raio de sol,

se pôs em pé e andou em direção ao que sobrou da vila.

Com suas mãos afastou a neve,

até encontrar a terra que um dia esqueceu.

E a abriu com toda a força que tinha

pois havia chegado o momento de recomeçar.

Ele sabe que muitos virão

e inspirados em seu sonho de glória

se unirão para trazer de volta a velha alegria

que um dia esse povo viveu.

Mas mesmo que ninguém viesse,

ele continuaria sozinho lutando,

pois em sua alma já não há espaço para o medo,

nem da derrota, nem da solidão.

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