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Pensamento do dia:

Trágica é a existência daquele que morre sem haver conhecido o motivo de sua vida…

Samael Aun Weor

O mito de Narciso

Arquivado em Mitologia | 36.514 visitas | Tags: , , ,

Estudar os mitos é de extrema importância pois neles se expressa o conhecimento atemporal. Através de seus símbolos, somos levados a uma jornada arquetípica e que muitas vezes tem mais realidade e atualidade que os fatos históricos, pois dão origem a eles. Por trás de cada personagem do dia-a-dia, desde o grandes vultos aos mais desconhecidos cidadãos, oculta-se o drama de Medéia, o sonho de Ícaro ou a batalha de Teseu.

O mito de Narciso nos mostra uma tendência comum da natureza humana

O mito de Narciso nos mostra uma tendência comum da natureza humana

Neste artigo, vamos fazer uma análise psicológica do mito de Narciso, personagem grego que nasceu com um dom que se converteu em maldição: sua beleza.

Diz-se que ao nascer, os sábios orientaram sua mãe que jamais deveria deixar o menino olhar sua imagem em um espelho, pois o choque ao ver sua beleza seria imprevisível. Assim viveu o garoto, até que um dia, durante uma caçada em meio ao bosque, parou para tomar água em um lago que ali havia. Ao ver sua imagem refletida nas águas serenas do lago, tal como um espelho, viu imagem de tamanha beleza que tão logo a contemplou já se apaixonou e então, perdido de amor, tentava abraçar a imagem mas sempre que tocava o lago ela se desfazia em suas mãos.

Depois de muito tentar, percebeu que tratava-se de um amor impossível e, já sem esperanças, decidiu matar-se ali mesmo, à beira do lago. E do sangue que regou a terra nasceram flores brancas, as quais se deu o nome do jovem: narciso.

Em geral, é consenso interpretar o mito como a história de uma pessoa enamorada de si mesma que cai no erro de confundir-se com sua imagem no lago. Muito se fala dos narcisistas, pessoas que se amam mais do que amam a qualquer outra pessoa. Também é consensual entender que a história terminou em tragédia. Porém, à luz da simbologia universal, utilizando-se das analogias presentes em todos os mitos, podemos fazer uma nova leitura desta narrativa e perceber nela algo mais, que tal qual um farol nos faz olhar na direção de nós mesmos.

De fato, Narciso é uma pessoa enamorada de si mesma e de fato, caiu no erro de confundir-se com sua própria imagem no lago. O detalhe é que esse mito não fala de um garoto em particular, mas sim de uma característica típica de todo ser humano, seja bonito ou feio, novo ou velho. Para entender isso precisamos antes entender o que é a paixão. A paixão é uma força de atração, um magnetismo que em realidade nós projetamos sobre o objeto do encantamento. As coisas pelas quais nos apaixonamos muitas vezes não tem todo aquele brilho, mas nós depositamos nelas todo o brilho do mundo (nosso mundo) e então nos sentimos fatalmente atraídos por elas. Na verdade, a pessoa apaixonada é a grande responsável por isso, pois ela é quem se enamora e ao mesmo tempo a fonte geradora de todo magnetismo depositado.

Quando uma pessoa se apaixona (e isso pode ser por uma outra pessoa, por um objeto, ou por um ideal, não importa) o que ocorre é que a pessoa se apaixona por um ideal que está dentro dela mesma e ela projeta sobre o objeto de sua paixão. Na história de Narciso, acontece igual: ele se apaixona por um reflexo que ele mesmo projetou no lago (símbolo do inconsciente, representando também nossas energias criadoras/criativas, fonte daquilo que os alquimistas chamavam de luz astral). Em outras palavras, sempre que estamos apaixonados, estamos vendo um ideal projetado sobre a outra pessoa e não a própria pessoa, a qual a gente vai ver um pouco depois que a embriaguez da paixão diminuir (que, segundo estudos, pode chegar a durar até dezoito meses). Quando a overdose de hormônios da felicidade diminui, a pessoa deixa de ver o ideal e passa a ver o real e nisso muitas vezes é que vem a decepção, a desilusão (observe-se a palavra, indicando que a ilusão se foi). Até aqui, então, vemos que todos somos Narcisos, sempre buscando um lago para refletir nossa própria imagem e dizer “que coisa linda!”

Porém, no mito, Narciso não fica só nisso por muito tempo. Tão logo percebe que aquela paixão é impossível (é ilusória) ele resolve morrer. Nos mitos, a morte associa-se à transformação, a deixar de ser o que se é. E isso vem confirmado logo em seguida, quando de seu sangue brotam flores brancas, as quais recebem o seu nome. As flores, nos mitos, geralmente representam as virtudes da Alma ou o resultado da transformação. São brancas porque fazem a percepção retornar à pureza, ao original, ao que realmente é.

Em síntese, encontramos no mito de Narciso muito mais do que a figura do amor por si mesmo, mas o princípio da natureza humana de depositar sua imagem, seu reflexo, em tudo que vê. No mito é abordado um lado da moeda, que é a questão de lançar seu reflexo e apaixonar-se, mas isso deve-se ao fato de que sua imagem era bela. Mas quantas vezes lançamos um reflexo tenebroso sobre as pessoas e nada mais é do que nossa própria imagem que refletimos? Por exemplo, a pessoa que está sempre mentindo: naturalmente, está sempre achando que os outros mentem pra ela. O malicioso está sempre achando que estão querendo enganar ele. O cobiçoso, sempre com medo que peguem o que é dele. O irado está sempre achando que estão respondendo “torto” pra ele. O luxurioso não pode ver um sorriso do sexo oposto que já fantasia onde aquilo vai terminar. Enfim, basta pensar que se uma pessoa está usando óculos com lentes vermelhas, tudo que ela enxergar vai ter uma tonalidade vermelha. Isso nos mostra o mito de Narciso: tudo que enxergamos em um primeiro momento tende a ser uma projeção de nosso mundo interior, que personificamos nas pessoas e acontecimentos à nossa volta.

Para concluir, Narciso (agora podemos chamar de o herói Narciso) mostra que é necessário matar a si mesmo, no sentido de renunciar a essa visão distorcida, egoísta, tendenciosa, para que então surjam a visão adequada, real, “pura”. E, para completar essa jornada de transformação, precisamos aprender a olhar para dentro e enxergar essas pequenas distorções da realidade.

Comentários

  1. Muito bem escrito.

    Cristina em 28 de novembro de 2010 às 7:56 am

  2. Segundo a gnose são noventa e sete por cento de fantasia e três por cento de realidade.
    Os noventa corresponde às realidades do ego, e os três por cento corresponde a essência.
    Que mesmo assim, os três por cento de essência não esta vinte quatro horas ativa por causa do agregado psicológico.

    Creio que este mito em questão diz muito quando colocamos na perspectiva de que, somos iludidos ate mesmo com a luz do conhecimento, o com brilho do reflexo da luz.

    Existe dois tipos de ilusão a do ego, e a da inocência da essência.

    Para os seres de auto consciência que já esta alem do bem e do mal, o nirvana e o caos pode ser ambos mundo ilusório ocasionados por fatores diferentes.

    Um proporciona o equilíbrio e outro o desequilíbrio Que em suma, são extremos da mesma coisa ou de mundos, tudo tem se oposto na criação.

    Em fim, a beleza e a feiúra são fantasia que aprisiona a essência humana.

    O reflexo da luz pode segar a quem não esta prepara para ver seu brilho, o diabo perante um espelho não refletem sua imagem, porque? Porque a escuridão não reflete a luz, ao contrario ela absorve a luz.

    ‘A pior ilusão e aquela que nos agrada ““.

    nousvate em 21 de janeiro de 2011 às 3:09 pm

  3. NARCISO ERA SO UM HOMEM QUE ENVEMTAVA MITOS

    MARIA EDUARDA em 26 de fevereiro de 2011 às 10:21 am

  4. eu fiz esse trabalho com muito orgulho

    andressa myllena silva dos santos em 2 de setembro de 2011 às 8:56 pm

  5. deveria colocar mura da historia nao colocar um texto desse tamanho

    daniel em 29 de fevereiro de 2012 às 8:00 pm

  6. Este texto foi escrito pra quem gosta de ler, refletir e tirar suas próprias conclusões. Se você quer ler só a “moral” da história, talvez este não seja o melhor site para encontrar o que procura…

    Revolução Interior em 2 de março de 2012 às 9:05 pm

  7. bom galera e que eu to fasendo um trabalho e a historia de narciso está diferente e não estou entendendo esse “alto conhecimento” me ajudem ae galera como faço pra saber a relação do mito com o alto conhecimento

    um cara ae em 5 de março de 2012 às 10:24 am

  8. O mito de Narciso tem variações e a interpretação do mito que apresentei neste artigo difere bastante do que geralmente é exposto. Se você está fazendo um trabalho para o colégio, sugiro que coloque as duas interpretações do mito (ou coloque só a mais convencional, que você encontrará na Wikipedia, ok?)

    Revolução Interior em 5 de março de 2012 às 1:59 pm

  9. Quem foi o autor desse texto?
    Queria usa-lo num trabalho.
    Muito bem escrito.
    obr

    maria em 21 de junho de 2012 às 7:35 am

  10. Olá Maria, meu nome é Roger Alves. Pode referenciar esta página no seu trabalho. Um abraço!

    Revolução Interior em 18 de julho de 2012 às 8:36 pm

  11. narciso texto tufavo

    Gabriela em 17 de agosto de 2012 às 9:52 am

  12. Não tenho muito conhecimento nessa área, entrei no site pesquisando o MITO de Narciso, pois foi uma tarefa que meu pscicólogo me passou, que por sinal foi ótima, e fiquei impressionado, pois tentando buscar alguma semelhança com o meu caso de “paixão” , eu encontro sua análise que me mostrou um ponto de vista ótimo para mim, claro que com algumas particularidas que pretendo discuti-las com meu pscicólogo em breve, mas muito boa!
    Abraços,

    Rafael em 1 de novembro de 2012 às 3:19 pm

  13. gosto muito de mitologia

    ana roberta pereira da silva em 8 de abril de 2013 às 7:51 pm

  14. BRILHANTE TEXTO, OU TEXTO BRILHANTE, BEM COMO O PRÓPRIO MITO.

    HUDSON BARROSO em 18 de abril de 2013 às 10:00 am

  15. Texto muito bom, muito bem escrito, e conclusão ótima! Vou usar para um trabalho do cefet … Obrigada, e parabéns! (:

    Jéssica em 30 de maio de 2013 às 8:43 pm

  16. Narciso—AMO MITOLOGIA GREGA

    Sophia Lima em 5 de junho de 2013 às 6:51 pm

  17. na verdade eu detesto mitologia,principalmente mitologia grega.

    sayonara silva. em 10 de junho de 2013 às 10:23 pm

  18. Muito Legal

    JUJU em 14 de junho de 2013 às 9:23 pm

  19. eu adorei a mitologia de narciso!!!!

    samira barbosa em 14 de agosto de 2013 às 11:17 am

  20. Muito bom esse texto, pena que algumas pessoas só copiam e colam o que está nele.

    IFsofredor em 14 de agosto de 2013 às 11:15 pm

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