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Albert Einstein

O Mito de Ícaro

Arquivado em Mitologia | 116.190 visitas | Tags: ,

Ao revisar os mitos, encontramos a história da humanidade, com suas imperfeições, erros e acertos; aquilo que nos define como seres divinos e ao mesmo tempo tão frágeis e mortais… essas duas perspectivas da natureza humana se enlaçam nos contos e lendas de todas as tradições. Mas talvez a que nos seja mais familiar, pela herança cultural do ocidente, esteja na mitologia grega. Neste artigo vamos estudar mais um personagem que nos ensina uma incrível lição de vida.

O jovem Ícaro é filho de Dédalo, famoso inventor grego, responsável pela criação do labirinto de Creta, que abrigava o temível Minotauro, criatura que, de certa forma, ele mesmo contribuiu em trazer ao mundo, pois foi Dédalo quem construiu a estrutura dentro da qual entrou Pasífae para ser possuída pelo touro do rei Minos (seu marido), como castigo enviado por Poseidon por ter se negado a sacrificar aquele animal.

Dédalo participou uma vez mais nos mitos gregos quando ajudou Ariadne a tirar Teseu de dentro do labirinto de Creta, logo após este derrotar o Minotauro. Ao saber de sua traição, o rei Minos o aprisionou, junto com seu filho Ícaro e é nesse ponto que inicia nossa narrativa.

Dédalo pensava em um modo de escapar da prisão, junto com seu filho. Percebeu que não teria como fugir nem por terra nem pelo mar, pois ambos eram dominados pelo rei Minos. Começou então a reunir as penas que caíam dos pássaros que sobrevoavam a prisão e com elas pretendia construir asas, pois apenas os céus não estavam sob o domínio do rei.

Laboriosamente fez dois pares de asas, unindo as penas com cera de abelha. E quando estavam prontas, entregou um par ao seu filho Ícaro, com a instrução precisa de que, em seu vôo, tinha que cuidar para não subir tão alto, pois o calor do sol derreteria a cera, nem tão baixo, pois a umidade do oceano faria com que as penas pesassem demasiadamente, a tal ponto de não conseguir mais manter-se no ar.

Dédalo voou conforme suas próprias recomendações e conseguiu escapar da prisão. Ícaro, no entanto, fascinado com a possibilidade de voar, foi subindo até um ponto em que a cera de abelha derreteu e as asas desfizeram-se, o que culminou em sua morte no oceano.

Análise do mito

As asas são o símbolo da criatividade e do potencial humano. Embora ambos tivessem asas, Dédalo e Ícaro as obtiveram de formas distintas. Ao passo que Dédalo as forjou, pena por pena, Ícaro as recebeu como herança paterna, ou seja, para Ícaro não foi uma construção, mas sim um presente.

As penas que formam as asas são coladas com a cera das abelhas, criaturas que simbolizam o trabalho paciente sobre a própria natureza. A cera de abelha representa o trabalho e principalmente a experiência obtida por meio desse trabalho.

O sol é a fonte de vida, de alegria; o mar, neste mito, representa os domínios da escravidão, do sofrimento, pois pertenciam ao rei Minos. Aqui aparece o primeiro contraste que nos faz refletir: as asas são forjadas com a soma do espírito criativo aliado ao duro trabalho, em perfeita proporção, ou seja, a visão criativa que se transforma em possibilidade ao ser aliada à experiência concreta. Mas se não soubermos combinar ambos, nosso vôo rumo a liberdade plena pode ser duramente interrompido.

Ícaro representa aquele personagem que herdou uma grande capacidade, mas não possui a habilidade para usá-la adequadamente e a esbanja, correndo o risco de que, com seus excessos, possa ser jogado ao extremo oposto.  Muitas vezes ouvimos falar desse mito no cotidiano, através dos jovens que herdam a fortuna e influência dos pais mas não sabem lidar com as infinitas possibilidades que isso traz e se lançam em uma vida desastrosa, contrariando todas as expectativas. Não é raro percebermos que filhos de grandes personagens se tornam pessoas que só vivem à sombra de seus pais, sem jamais se tornarem alguém com uma trajetória própria; são lembrados como “o filho de Fulano”.

Outras vezes vamos encontrar este personagem encarnado como alguém de grande talento e potencial, mas que não se interessa em aprimorá-los, nem desenvolver os atributos morais para utilizar sabiamente tal capacidade. Tornam-se assim grandes potenciais encarcerados em sua própria auto-imagem de perfeição, mas que cedo ou tarde caem no tormentoso mar da vida porque não souberam encontrar um ponto de equilíbrio.

Podemos ainda ver Ícaro em um terceiro aspecto, que é a figura do místico que se lança em uma busca espiritual mas ignora as necessidades inerentes à experiência humana para poder atingir a iluminação, ou seja, aquelas pessoas que desprezam o cotidiano e as experiências comuns como uma via complementar para a sabedoria, tão complementar quanto era a cera de abelha em relação às penas, para formar as asas.

E, em uma quarta análise, também nos encontramos com Ícaro através das pessoas que vivem uma vida de fantasias inatingíveis. Estes personagens constantemente veem suas asas serem derretidas e caem de volta na triste realidade, por esquecer de conciliar o sonho com o trabalho para concretizá-lo. Outros cometem o erro oposto ao de Ícaro: o erro de não se permitir voar alto, ou seja, deixam que a umidade do oceano (as experiências amargas da vida) lhes trague o sonho de voar e então a jornada se torna excessivamente pesada, até o ponto em que o próprio mar da vida lhes engole.

Existe um ponto de equilíbrio em nosso processo de despertar que precisa ser conquistado. Um ponto em que nos permitimos enxergar além de nossa própria experiência, mas que amadurecemos essa visão através do trabalho para atingir novos estágios. A experiência humana é repleta de cumes de inspiração e quedas dentro da dura realidade, formando assim uma mistura harmoniosa para alçar vôo em direção à grande liberdade interior, que nos traz infinitas possibilidades.

 

Comentários

  1. Falar ASSIM do oceano …acorda a parte dele que mora em mim Dragão

    cristina em 6 de junho de 2011 às 4:46 pm

  2. Os abismos e os céus estão dentro da gente, fazer o que…

    Revolução Interior em 6 de junho de 2011 às 5:00 pm

  3. É estar precisamente embaixo do umbral. Nem de um lado, nem do outro. Equilíbrio, harmonia!

    Parabéns pelo texto.

    Francisco em 6 de junho de 2011 às 7:39 pm

  4. Os mitos são engraçados justamente por ter tantas interpretações, parece que eles servem pra tudo, mas no fim das contas acho que o culpado da tragédia toda foi o Dédalo (criador de máquinas e artifícios, um velho cheio de truques) si ele não tivesse feito asas de cera seu filho não teria caído, Ícaro estava certo em querer se aproximar do Sol, porém com asas artificiais acabou sendo enganado… romper os limites , superar barreiras , religar-se com o superior(o céu) isso é mais o importante… a continuação desse mito deveria contar como Ícaro re-surge do Oceano ,vivo, após conhecer Poseidon ,Deus dos Mistérios Iniciáticos, tio de Apolo(o próprio Sol) e este lhe conta como ir até a morada do Deus sem a ajuda de máquinas ou artifícios, os erros de seu pai.

    Douglas Kneipp em 3 de agosto de 2011 às 10:59 am

  5. […] Informações: http://www.revolucaointerior.com.br/mitologia/o-mito-de-icaro/ […]

  6. Gostei muito
    Muito emocionante .
    ” Quanto alto subimos , maior é a queda ”
    Perdoa-nos Ícaro

    Mensagem: Dédalo
    Desculpa-me filho :'(

    xauxau em 15 de janeiro de 2012 às 5:12 pm

  7. adorei este lindo livro de ícaro e muito emocionante,e instrutivo.

    rosane em 17 de fevereiro de 2012 às 2:15 pm

  8. As penas que formam as asas são coladas com a cera das abelhas, criaturas que simbolizam o trabalho paciente sobre a própria natureza. A cera de abelha representa o trabalho e principalmente a experiência obtida por meio desse trabalho.

    O sol é a fonte de vida, de alegria; o mar, neste mito, representa os domínios da escravidão

    letyane em 21 de abril de 2012 às 4:43 pm

  9. adorei esta história ela nos dá uma ótima lição de vida

    isabelly em 18 de maio de 2012 às 3:51 pm

  10. Eu adoro ler esses tipos de historia!!!!!!!

    ADRIA em 13 de agosto de 2012 às 3:23 pm

  11. Muiiito booooa essa história!!!!

    jéssica em 26 de agosto de 2012 às 1:04 pm

  12. odeioo mitologia grega !!! mais essa historia ultrapasou oo meu limite que era 10 porcento , ele chegou aos 12 porcento o q é bem dificiu de acontecer !!!!!!!!!!

    biaah- 12 em 17 de outubro de 2012 às 5:32 pm

  13. Todo Ícaro é um sonhador…
    conheço três Ícaros são muito diferentes, mas ao mesmo tempo muito parecidos no jeito de serem pessoas sonhadoras…

    Ícaro de Campos em 1 de fevereiro de 2013 às 9:19 am

  14. Comparar o equilíbrio com um ideal a ser alcançado me parece uma tarefa altamente contraditória. Essa análise do mito de Ícaro me pareceu extremamente pessimista e deixou de fora uma boa parcela da beleza e encantamento que também estão presentes. Na verdade, não critico o autor, pois a análise abrangeu uma série de símbolos importantes e pertinentes. No entanto, gostaria de propor uma outra ótica.
    Ícaro foi protegido de experimentar e conhecer o que seu pai adquiriu por meio da experiência. Ao ser trancafiado na torre, ele ainda era uma criança e não poderia carregar a sabedoria do pai. A meu olhar, Ícaro reflete aquela inspiração infantil, extremamente importante de continuar viva em qualquer adulto. Ícaro não acompanhou as recomendações do pai mas, diferente do mito do filho pródigo, presente na Bíblia, ele não pôde demonstrar seu arrependimento. Ele permaneceu criança do início ao fim do mito. O idealismo é fundamento das criações mais extraordinárias, algo que vemos que é claro que Ícaro herdou do pai, junto com as asas. Ícaro via a seu pai como um criador, algo parecido com um Deus. Em uma análise considerando a sua infantilidade, não é de estranhar que ele supusesse que poderia ir além do pai, de acreditar que aquelas asas eram realmente as suas próprias asas, e que se manter longe do Sol seria algo impossível. Ele precisava ir além .Temos muitos mártires na história real da humanidade, os quais também assumiram o risco de ir além, de acreditar de fato que tinham asas e com o desejo de se aproximar do Deus maior, mais do que o Deus presente no pai idealizado, mas no Ideal de Eu, um Deus que, desde sempre, foi identificado com o Sol.
    Ir ao Sol significa buscar o divino que está presente na terra, significa transcendência. E aqui eu trago mais um personagem maravilhoso, que é o Pequeno Príncipe. Para voltar à sua casa e à sua rosa, o Príncipe sabia que precisava deixar seu corpo na Terra. Quem sabe Ícaro também deixou seu corpo ao transcender o pai e chegou ao Sol em seu espírito?

    Nanna em 5 de fevereiro de 2013 às 8:01 pm

  15. adorei o mito de icaro muito interesante , dadorei muito !!!!!!!!!!!!!!!!!

    milena em 11 de abril de 2013 às 7:21 pm

  16. O QUE CHAMAMOS DE “MITOLOGIA” OU “MITO”, NADA MAIS A FORMA QUE OS ANTIGOS ARRANJARAM PARA QUE O CONHECIMENTO, A VERDADE, FOSSEM PRESERVADOS SEM SOFREREM ALTERAÇÕES. É NECESSÁRIO MERGULHAR FUNDO NAS PEQUENAS E NAS HISTÓRIAS SIMPLES, INCLUINDO AS MITOLOGIAS, PARA CONHECER O SER HUMANO E SI MESMO.
    QUEM QUISER APRENDER UM POUSO SOBRE O SER HUMANO, BUSQUE LER TAMBÉM OS LIVROS DE ALICE BALEY E DE EMMA COSTET MASCHEVILLE. SÃO MUITO ELUCIDATIVOS.

    ALBERTO em 23 de janeiro de 2014 às 7:23 am

  17. […] Ao revisar os mitos, encontramos a história da humanidade, com suas imperfeições, erros e acertos… […]

    Mito de Ícaro | Curso de Redação em 10 de fevereiro de 2015 às 7:19 pm

  18. Ícaro´, como as mariposas e os insetos alados em geral, sentiu-se atraído pela luz e seguindo seu instinto natural, nela alcançou seu limite, voando desorientado ofuscado pela luz e calor. Da mesma forma que os insetos que perdem suas asas e suas vidas debatendo-se ao redor de um candieiro, Ícaro perece, despencando das alturas para ser embebido pelo furioso mar.

    Dirceu luiz alberti em 19 de fevereiro de 2015 às 3:02 pm

  19. ???????….foi um mito bem mito ….

    cristina em 2 de agosto de 2015 às 9:00 pm

  20. amei vou tira um 10 maximo amei muito adorei quem escreveu ta de parabens

    bruna em 11 de setembro de 2015 às 6:02 pm

  21. Adorei ler o texto
    Parabéns

    Heraclides lima em 30 de abril de 2016 às 1:59 am

  22. Gostei muito estou fazendo seminarios da mitologia grega

    Batriz em 4 de maio de 2016 às 10:59 am

  23. Amei.

    Danielle em 2 de junho de 2016 às 6:42 pm

  24. Sempre achei liiiiiiinda a historia de icaro….hj tenho um filho e o nome nao seria outro.
    Ykaro..meu sonhador.

    elba em 10 de agosto de 2016 às 1:26 pm

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