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Pensamento do dia:

Tudo o que é incompreensível nem por isso deixa de existir.

Blaise Pascal

O encontro da ciência e da religião

Arquivado em Artigos, Filosofia | 3.742 visitas | Tags: , , ,
Em um passado muito distante, do qual nos falam as antigas tradições e cujos vestígios eventualmente encontramos em algum livro de história, vemos que ciência e religião andaram juntas, servindo respectivamente como pés e olhos de um todo integrado que era simplesmente chamado de conhecimento. Assim os antigos sacerdotes e xamãs orientavam-se por suas visões do mundo espiritual e aplicavam esses conhecimentos de forma prática na solução de problemas pertinentes ao seu cotidiano. À medida que a religião foi se tornando uma fonte de prestígio e de poder, a sua finalidade foi se perdendo em meio a esses interesses, deixando de expressar a busca pela verdade e fazendo surgir uma pseudo-espiritualidade que sufocava a ciência e que praticamente predominou no ocidente durante a antiguidade e idade média, quando finalmente a ciência deu seu grito de liberdade e renasceu sob a forma de grandes filósofos naturais e pensadores que questionavam a noção de mundo imposta pelos dogmas seculares. De lá pra cá, a busca pela verdade fez com que religião e ciência tomassem rumos distintos e se orientassem por premissas distintas, afastando-se uma da outra cada vez mais.

Uma “nova” ciência?

Em tudo existem exceções e sempre houveram grandes pensadores que conciliaram as duas em sua visão de mundo. Mas, tratando de generalizar, a religiosidade “clássica” do ocidente, de orientação mais tradicional (as originárias do cristianismo, bem como o islamismo, judaísmo e derivações) não vê a ciência acadêmica com bons olhos, pois ela não valida aquelas certezas que os religiosos intuem como verdadeiras, entre elas, a mais importante de todas, que é a existência e onipresença de um Criador. Por outro lado, a ciência mais tradicional, mecanicista, também não vê a religião com bons olhos, pois, via de regra, esta continua a desprezar o princípio básico que norteia toda a prática científica, que é a necessidade de ater-se a fatos e poder provar os princípios sobre os quais opera.

No entanto, existe uma nova espiritualidade emergindo; e ela não é tão “nova” assim, mas sua aceitação no ocidente é relativamente nova e isso é devido às descobertas científicas das últimas décadas. Em alguns países do oriente, no entanto, ela constitui a base do pensamento filosófico e científico de culturas milenares. Nesta nova espiritualidade não existe espaço para uma visão antropomórfica da divindade (que pretende fazer do homem a imagem e semelhança de Deus e cai no erro de acabar criando Deus à nossa semelhança física), senão que se concebe a divindade como uma inteligência que se move através de toda natureza, em todas as suas relações e interações, desde nossa estrutura celular até na organização de toda biosfera. Esta nova espiritualidade se pauta nas descobertas de uma nova ciência, que não compara a natureza e o universo com o mecanismo preciso e previsível de um simples relógio. Cientificamente, hoje se fala muito de uma certa “inteligência” que não se encontra em nenhuma parte específica da natureza, mas se revela através das relações entre suas diferentes partes. Daí o postulado de que “o todo é maior do que a soma de suas partes“, pois se estudarmos cada coisa em separado, não conseguimos enxergar aspectos que só se revelam dentro de seu contexto.

A visão holística do todo

Enquanto no oriente essa idéia é extremamente similar ao que se conhece como o tao, no ocidente essa percepção apareceu timidamente na antiguidade, em textos como o livro de Enoch e mais tarde em grandes ocultistas como Eliphas Levi, que se referiam à egrégora, que é a vibração que surge da interação de um grupo de indivíduos, por lei de afinidades. Assim, por exemplo, existe uma vibração específica em cada igreja, bem como em cada bar, na casa onde vive uma família, em um bosque e se formos um pouco mais além, cada pessoa tem sua egrégora particular, já que somos um conjunto biológico e psíquico que possui tanta complexidade quanto uma sociedade ou um ecossistema. Os cientistas contemporâneos utilizam um termo que abrange de certa forma esse princípio, porém que traz muito mais amplitude e aplicação. Chamam a isso de “propriedades emergentes“, ou seja, características que só existem nas relações entre partes e não estão especificamente em nenhuma delas. Essas propriedades emergentes existem, por exemplo, no sabor doce de um torrão de açúcar, que só passa a ter esse sabor quando determinadas moléculas se ligam (não estando presente em nenhuma delas até então), da mesma forma que a nossa percepção das cores é o resultado de muitas relações entre partículas que se combinam e que refletem de uma forma específica a luz, sendo que nenhuma delas em si possui tal característica. Vamos encontrar propriedades emergentes regendo os ecossistemas, o formato e organização presentes em sistemas solares e galáxias, bem como na forma como o ser humano é capaz de perceber e sentir. Diferentes ciências acabaram por fim encontrando Deus, porém como esse termo muitas vezes já traz uma carga de conceitos, muitos não foram capazes de reconhecê-lo como tal. Ou seja, o que os antigos sábios de todas as culturas nomearam de um jeito, a ciência hoje nomeia de outro, por não ter feito a leitura interdisciplinar que cruzaria as informações e nos faria encontrar elementos de uma ciência avançadíssima muito antes do “método científico” existir. Uma pessoa que tenha esse olhar intercultural é capaz de identificar com facilidade a existência de uma inteligência divina ao estudar as descobertas feitas nas últimas décadas no terreno da física quântica, da química, da biologia, ecologia, matemática, psicologia, sociologia e inclusive na cibernética.

Reconceituando as velhas terminologias

Por trás do DNA, por exemplo, podemos encontrar os fundamentos da lei do karma; escondido nas definições científicas das “estruturas dissipativas auto-organizadas” vemos a própria inteligência divina operando. Claro que não estamos falando daquele conceito (até um pouco infantil) de Deus como um homem barbudo, velho e poderoso que contempla lá de cima a sua criação, mas sim uma inteligência que se auto-organiza em estruturas interconectadas que constantemente interagem, gerando desequilíbrios para que essa mesma inteligência se aperfeiçoe e siga sua evolução. Se entendermos Deus dentro desses parâmetros, vamos encontrar ampla documentação científica de sua atuação em todas as áreas. O fato de hoje estar-se comprovando Deus através da ciência prova que a capacidade humana de perceber os princípios inerentes aos fenômenos transcende a razão e o intelecto e que nós sempre tivemos acesso à sabedoria universal, porém poucos na história se dispuseram a desenvolver essa gnosis que existe dentro de cada um.

Para concluir

O problema da dificuldade de aproximação entre religião e ciência não está na divergência dos métodos, mas na intransigência das autoridades de ambos os lados. Sempre existirão líderes religiosos cegos, que não enxergam a divindade além de seus textos sagrados e de seus códigos morais; assim como sempre existirão cientistas fanáticos, totalmente cegos, incapazes de enxergar além do que os seus microscópios e gráficos conseguem expressar. Cegueiras que afastam a humanidade da visão verdadeiramente espiritual e verdadeiramente científica. O dia em que ciência e religião se integrarem na cultura humana de forma mais abrangente, teremos um novo tipo de ciência e um novo tipo de espiritualidade, algo que não trabalhe apenas com o tridimensional, nem muito menos algo que necessite de códices, hinários e liturgia para expressar simbolicamente o que acontece a cada instante no seio da grande Mãe Terra.

Comentários

  1. O tema da relação entre ciência e religião sempre foi muito abordado em nossa época pois acredito que cada vez mais os cientistas e os religiosos se sintam inseguros. Os sacerdotes não tem fé em seus próprios ensinamentos e os cientistas não tem esclarecimento de seu conhecimento. Hora buscam respostas nas escrituras e quando não acham, buscam nos telescópios e microscópios. Mas nunca desistem de buscar, nunca param pra olhar ao seu redor sem “conceitos adquiridos”. Olhar as coisas como são e não como pensamos ser. Unir a ciência caduca com a religião degenerada é possível e sempre cria as piores loucuras… qualquer cientista verdadeiro recebe sua sabedoria de Deus.

    Douglas Kneipp em 28 de julho de 2011 às 6:48 pm

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